Percepção, a palavra do momento

Crise esconde bons negócios, mas é preciso saber a hora de assumi-los

FABRÍCIA PEIXOTO

  A máxima diz que é na crise que se encontram as grandes oportunidades. No entanto, para quem está prestes a entrar no mercado, essa filosofia deve ser entendida com muito cuidado. O momento é delicado – tanto para consumidores como para os donos de estabelecimento – e exige que os planos de investimento sejam bem definidos. Nesta hora, a percepção e o bom senso contam muito.

  O consultor da Acomp, Antônio César Carvalho de Oliveira, conta que o candidato a empresário deve reservar, no mínimo, dinheiro suficiente para viver seis meses sem depender de retiradas da empresa. "Em época de instabilidade, como a que estamos passando, esse tempo deve aumentar para um ano. Para os negócios de maior risco, a disponibilidade precisa atingir dois anos", afirma Oliveira.

  Quem já está no mercado sabe: a desvalorização do real vem exigindo um cuidado ainda maior com os estoques. Portanto, na hora da escolha do melhor negócio, o conselho dos consultores é evitar os empreendimentos ligados a grandes compras.

_ A hora é do setor de serviços, que exige pouca infraestrutura", comenta Oliveira. "Com um aparelho de fax, linha telefônica e Internet conseguem-se grandes feitos.

  A escolha do setor que esconde as melhores oportunidades pode se transformar numa grande armadilha para quem pretende entrar no mercado. Muitas vezes o negócio ao lado, que vive abarrotado de clientes, acaba iludindo os principiantes.

_ A pessoa não pode achar que foi a única a observar o movimento. Assim como ela, muita gente já está correndo atrás daquele tipo de negócio, o que acaba diminuindo a média de lucro no ramo _ explica Oliveira.

Lojas de celulares

  O consultor da Acomp cita as lojas de celulares como exemplo desse fenômeno. Segundo ele, muitas lojas viviam "entregue às moscas", quando linha telefônica era artigo de luxo. Quem sobreviveu àquela época, hoje colhe os frutos, com a enxurrada de linhas de celulares. No entanto, para os que pensam em entrar neste mercado agora, a festa não vai ser tão grande, já que muitas lojas pipocaram em todos os pontos da cidade.

  A saída é antecipar esses momentos de bonança. A tarefa exige um pouco mais de empenho e não apenas a "cópia" do concorrente. "É preciso saber o momento exato para entrar no mercado", afirma Oliveira. Ele cita o setor de informática como o que ainda esconde as melhores oportunidades. "Somente 1,2% da população brasileira tem acesso à Internet. É preciso pesquisar e prever o leque de serviços que terão espaço com o crescimento do número de usuários", observa. As lojas que vendem produtos voltados para o setor são bem vistas.

  O consultor de franquias Alain Guetta lembra que, nesse momento, até mesmo os negócios considerados de menor risco precisam ser encarados de outra forma. "Lanchonetes fast food e cafeterias costumam obter bons retornos. No entanto, suas principais matérias-primas, como trigo e café, já sofreram reajustes. E não sabemos onde esse aumento vai parar até que a moeda volte ao equilíbrio", analisa Guetta.

Melhor localização

  Tão importante quanto decidir o que abrir, é descobrir o espaço ideal para o negócio. É preciso muita pesquisa e atenção para evitar que o local seja mal aproveitado ou, então, que seja insuficiente para atender a uma demanda muito grande. Além disso, é preciso ir aonde o consumidor está. Existem pontos específicos para cada perfil de clientela.

  Shoppings e ruas são os mais visados, mas ainda há oportunidades em locais como aeroportos, feiras e hipermercados. Não há uma regra rígida, que defina o gueto de cada público, mas é fácil identificar as preferências de acordo com as características do cliente.

  Oliveira lembra, por exemplo, que as lojas destinadas ao público jovem têm melhores perspectivas de retorno em shoppings. "Seja no setor alimentício ou de vestuário, o fato é que os jovens preferem comprar nos shoppings, nem que paguem mais caro pelo artigo", analisa o consultor.

  Uma boa opção, e que vem crescendo dentro dos shoppings, são os quiosques. Uma forma de marcar presença, mas sem os altos custos das lojas tradicionais.

Atendimento qualificado

Para alguns negócios – como no setor de informática – ainda existem resistência por parte do consumidor em comprar nos quiosques. No entanto, Oliveira considera esse fator passageiro.

  – Contanto que a empresa trabalhe com bom atendimento, fidelizando os clientes, o quiosque pode muito bem dar conta do recado. É melhor um pequeno negócio que dê certo e prospere, do que uma super loja no shopping que se encontre sempre vazia – compara o consultor da Acomp.

É bom lembrar que esse tipo de loja não permite estoques muito grandes. O setor de cosmética e de ótica correspondem a esse requisito.

  As ruas, por sua vez, são os locais mais apropriados para lojas onde o cliente não precise ficar por muito tempo. No setor de alimentos, destacam-se lanchonetes e cafeterias. No de serviços, as videolocadoras são bons exemplos: é melhor que as lojas estejam perto da residência dos clientes. O mesmo pode-se dizer das lavanderias.

  Restam, ainda, as opções de negócio que não precisam nem sair de casa. Com o custo fixo bem abaixo da média, as empresas em ambiente familiar não exigem grandes investimentos iniciais. Exatamente o que muitos procuram, ainda mais em época de instabilidade.

Serviço: Acomp Consultoria: 445-5444.

 

Melhores opções

 

Loja de rua

  • Sorveteria
  • Cafeteria
  • Videolocadora
  • Lavanderia
  • Material de construção

Lojas em shopping

  • Vestuário
  • Calçados
  • Informática
  • CD
  • Revelação fotográfica

Quiosques em shopping

  • Alimentação (pequeno porte)
  • Cosmética
  • Bijouteria
  • Telefonia
  • Ótica

Em casa

  • Congelados
  • Artesanato
  • Consultoria
  • Laboratório fotográfico
  • Confecção de roupas

 

Dicas da acomp

  • Elabore uma listagem de negócios com os quais se identifica. Tem know-how para entrar no ramo? Tem capital suficiente? Tem contatos?
  • Busque informações no mercado. Nesse ponto, o Sebrae pode ajudar com o curso "Como iniciar seu próprio negócio". Visite também entidades de classe e associações pertinentes ao ramo.
  • Visite empresas do setor pretendido (potenciais concorrentes) e, se possível, converse com alguns clientes
  • Verifique fornecedores: preços, condições de pagamento, prazos de entrega, etc.

 

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