Domingo e Segunda-Feira, 28 e 29 de Maio de 2000
 
 

Boa idéia e capital só não bastam
Erros básicos liquidam 56% das novas empresas nos três primeiros anos

José Pinheiro Júnior

Dinheiro na mão e muitas idéias na cabeça têm levado milhares brasileiros a deixarem de ser assalariados e partirem para o próprio negócio. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae Nacional), mais de 270 mil pequenas empresas surgiram apenas em 1999.

Em média, os novos empreendedores têm 39 anos, são do sexo masculino (69% dos entrevistados) e têm pelo menos o segundo grau completo (61% do total). Porém, a falta de experiência no ramo e outros fatores, como a falta de profissionalismo e a incapacidade de criar diferenciais em um mercado competitivo, levam muitas empresas a fechar em pouco tempo.

Pesquisa do próprio Sebrae Nacional demonstra que, de 3 mil empreendedores ouvidos, 56% "abandonaram o barco" antes do terceiro ano de atuação. O Sebrae-RJ também acompanha a abertura e o desempenho de centenas de pequenas empresas que fecham com pouco tempo de atuação.

A armadilha familiar

O consultor Haroldo Caser, da Agência de Desenvolvimento Regional do Centro (ADR-Centro) do Sebrae, aponta a falta de preparo como o principal motivo para que tantas empresas fechem em prazo tão curto. Outro motivo seria o perfil destas pequenas firmas, a maioria familiar e sem um mínimo de profissionalismo.

- Tudo pode dar dinheiro, mas tem haver conhecimento a afinidade do empresário com o ramo.

Nas empresas familiares, os filhos e parentes do empreendedor devem ser tratados como profissionais e não como membros da família. Muitos dos empreendedores não têm realmente o perfil necessário a um empresário, com capacidade de organização, conhecimentos, capacidade de gerenciamento e disposição para assumir riscos. Acabam fechando - alerta Caser.

Antes de abrir uma empresa, o empresário deve, segundo Caser, obter o máximo de informações sobre os seus consumidores em potencial, fornecedores e situação do mercado. "Só ter o dinheiro não basta. Ninguém deve abrir uma empresa por simples hobby. Tem que dar dedicação integral e consciente de possibilidades e limitações", assinala o consultor do Sebrae-RJ. A instituição oferece aos novos empreendedores o curso "Como Iniciar seu Próprio Negócio", com uma semana de duração e três horas de aula por dia. O curso custa R$ 75.

- Este curso dá o básico para que o empresário possa começar. Também tem por objetivo minimizar o problema da alta mortalidade de empresas. Uma pesquisa de mercado também não é uma coisa que esteja tão fora da realidade de uma pequena ou média empresa, e precisa, realmente, ser feita - garante Caser.

Competitividade


O diretor da Acomp Assessoria e Treinamento, o consultor Antônio César Carvalho de Oliveira, destaca que os cortes de pessoal feitos em muitas indústrias e no setor financeiro, por conta do processo de globalização e de busca de mais competitividade, levaram muitos ex-assalariados à busca de um negócio próprio. Porém, os novos empresários muitas vezes negligenciam o trabalho de prospecção e, por isto, correm grande risco de fechar as portas das firmas em prazo muito curto.

- Hoje não tem ninguém bobo no mercado, a competição é muito acirrada e sem um estudo de viabilidade econômico-financeira para determinar as características do mercado fica muito difícil vencer. O passo inicial para não fechar é pesquisar com métodos científicos como andam os concorrentes e a conjuntura econômico-financeira - assinala o consultor. Ele também enfatiza que, pelo menos no começo, o novo empresário não deve optar por competir com preço baixo, pois não teria condições de acompanhar o "pique" das maiores companhias.

"O novato tem que ter diferenciais para sobreviver em um mercado tão competitivo" frisa. O consultor também alerta para um outro risco que ronda a atividade de muitos empresários "de primeira viagem": o otimismo exagerado com os primeiros resultados positivos em termos de venda. Registrando bons negócios, o empreendedor é levado a acreditar que pode muito e dá um passo em falso na hora da expansão.

- Eis mais um motivo para a realização de um estudo de viabilidade e o levantamento de dados sobre o mercado e o produto. Com este instrumental, o empresário pode saber quando, como e onde crescer. O estudo não vai evitar que uma empresa feche, mas vai tornar a empresa nascente menos vulnerável às flutuações naturais do mercado - conclui Carvalho. A Acomp faz estudos de viabilidade econômico-financeira para pequenos empresários por R$ 1,9 mil.

Estoques, o calcanhar-de-aquiles

Outro consultor, Roberto Lira Miranda, chama atenção para um item que tem "derrubado" muitos empresários iniciantes, especialmente no varejo: a má administração dos estoques. Ele lembra que desde o lançamento do Plano Real as empresas do ramo têm reformulado sua política de estoque e trabalhado mais em sintonia com os fornecedores.

- Pessoas mais inexperientes já entram subcapitalizadas e acreditam que poderão começar a ganhar dinheiro no curto prazo. Isto não é verdade e, em alguns casos, como em simples salões de beleza, por exemplo, o tempo de retorno é superior a quatro anos. Tem que haver uma capitalização que permita que o iniciante opere no vermelho por algum tempo - diz.

- Em relação ao estoque, a tendência do mercado agora é trabalhar com o menor possível; as mercadorias viriam quase que diretamente do fabricante para o consumidor final - explica Miranda.

Marketing equivocado

Os erros de marketing também têm pertubado bastante a vida dos empresários que estão entrando no mercado. Miranda também fez uma pesquisa sobre o desempenho das empresas iniciantes e chegou à conclusão de que mais de 75% destas firmas, normalmente de pequeno porte, fecham as portas antes do terceiro ano de operação.

- Os erros de marketing fazem, por exemplo, que um inexperiente empresário queira fazer uma expansão muito rapidamente, sem que o seu negócio esteja realmente seguro e solidificado.

Ninguém deve querer uma expansão quando não está nem ao menos estabelecido com segurança - diz o consultor.

O diretor da Business Improvement, Marcos Bello, prefere enfatizar o papel que uma equipe tem no lançamento e consolidação de uma empresa, especialmente de pequeno porte.

Marcos Bello lembra que muitos ex-assalariados não têm capacidade para gerenciar um negócio
e, se quiserem insistir com a idéia de abrir uma empresa, precisarão das pessoas certas nos lugares certos.

- Aquela fase da história empresarial em que uma pessoa abria um negócio sozinha e tocava tudo com seu pulso forte já está superada. Era uma época sem tanta competição na qual havia espaço para isto - diz.

Muitas empresas brasileiras fecham porque os empresários iniciantes até fazem pesquisas de mercado, mas não sabem como transformá-las em conhecimento real, organizacional. Daí a importância da montagem de uma boa equipe - observa Bello.

Serviço:
Sebrae-RJ - ADR-Centro - 518-0585
Acomp Assessoria e Treinamento - 445-5444

Os sete pecados capitais

1. Querer entrar no mercado sem conhecimento sobre itens como produtos concorrentes, fornecedores e comportamento do consumidor. Um estudo de viabilidade econômico-financeira é cada vez mais vital para os novos empreendedores.

2. Encarar a vida de empresário como um hobby e dedicar-lhe apenas as horas vagas.

3. No caso das empresas familiares, negligenciar o profissionalismo e tratar parentes de forma diferenciada.

4. Subcapitalização. Entrar no mercado sem uma reserva que garanta a possibilidade de operar no vermelho até que venha o retorno do investimento inicial.

5. Supervalorizar os sucessos iniciais e planejar expansões sem que a empresa esteja, sequer, consolidada.

6. Não criar diferenciais em termos de produtos e serviços, fundamentais em um mercado muito competitivo.

7. Não saber administrar estoques. Atualmente, manter um pequeno estoque é uma tendência cada vez maior.

 

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