Sexta-feira, 5 de Maio de 2000
 
 

Faturamento a toque de agulha
Lojas de conserto de roupa começam a conquistar o consumidor carioca

Heloisa Espósito

Apesar da concorrência, abrir uma loja de conserto de roupas é uma boa opção, principalmente porque a clientela - ou por não ter tempo ou por não saber fazer - deixa bainhas, troca de zíper e botões a cargo de mão-de-obra especializada. Outro fator que propicia a atividade é o econômico: nos dias de hoje muitas pessoas estão preferindo consertar o que já têm a comprar algo novo.

Para ter sucesso no ramo, é necessário escolher entre ganhar na escala ou no valor unitário dos produtos. Isto porque, com a entrada de redes internacionais e de novas lojas de departamento no mercado carioca, os preços das peças prontas estão muito mais em conta do que no passado.

- Se a loja faz diversos pequenos consertos por dia, pode cobrar pouco pelos serviços unitários, uma vez que o volume garante faturamento razoável. Se a estratégia, no entanto, for trabalhar com consertos específicos, como de ternos, o número de pedidos vai ser menor, mas o preço cobrado em cada unidade é mais alto - orienta o consultor Antonio Cesar Carvalho de Oliveira, da Acomp Consultoria e Treinamento.


Miudezas


A loja não deve fazer apenas os consertos tradicionais, mas trabalhar com couro e cortinas. É importante vender também produtos de armarinho, como fita métrica, elástico, botões, linhas, agulhas e todo um sortimento de miudezas. Geny Arbetman - que já teve armarinho e hoje trabalha por conta própria - orienta que se venda também acessórios como meias-calças, cintos, lenços e artigos de cama, mesa e banho.

De acordo com Geny, alguns cuidados na operação do negócio marcam bons pontos junto ao cliente. É fundamental cumprir prazos, entregar a domicílio, embalar bem a roupa e colocá-la na sacola da loja. "Quando chegam, as roupas estão todas amassadas, mas, quando são devolvidas, o lojista deve dobrá-las bem, investindo na apresentação das peças", diz.

Algumas lojas do ramo, como a Sellkit, escolheram os shopping para se estabelecer; outras optaram por hipermercados. Esta é uma decisão a ser tomada com muita cautela. Se por um lado os shopping garantem bom tráfego de pessoas, por outro os custos fixos podem ser tão altos a ponto de inviabilizar o negócio.

As empresárias Ana Beatriz Archer Pinheiro e Eliane Walker abriram, há um mês, a loja de conserto de roupas em tecido e couro Dona Agulha, em Copacabana. A empresa faz serviços de bainha, zíper, cós, gola, manga, gancho, botão, ilhós, cava, decote, forro, cotoveleira, ombreira, entre outros.

De acordo com Eliane, o ponto comercial é importante, mas não crucial neste tipo de atividade.

"Ninguém sai à rua à procura de consertos. As pessoas fazem uma pesquisa para saber onde tem loja desse tipo. Não importa se o estabelecimento está na rua ou no shopping. O que é levado em consideração é se há comércio próximo", diz a empresária, que está estabelecida entre uma loteria esportiva e um cabeleireiro.

Máquinas

Para abrir o negócio, é importante ter máquinas industrias - que podem ser adquiridas na Caçula Aviamentos, no Centro e na Copa Máquinas, em Copacabana - do tipo colarete, reta, overloque e de costura do couro. É necessário também ter uma mesa de corte - medindo 1,5 m de comprimento, 0,90 de largura e 0,90 de altura -, prateleiras, araras de ferro e cabides. Um bom estoque de agulhas, linhas, tesouras, fita métrica e elástico é bem-vindo. Com R$ 15 mil, fora o ponto comercial, é possível estabelecer-se.

A publicidade é a alma do negócio. Por isso, deve se destinar 5% do faturamento aos anúncios em jornais de bairro, imãs de geladeira, distribuição de prospectos em caixinhas de correio e nas ruas próximas à loja.

A qualidade da mão-de-obra também é muito importante para o sucesso do negócio. Geny Arbetman, que trabalha com cinco costureiras, orienta que as profissionais sejam escolhidas com muito critério. "A dona da loja deve pedir para a costureira mostrar que sabe dobrar um elástico, por exemplo, na hora em que a está entrevistando".

As costureiras devem estar preparadas também para fazer consertos na hora. Não é raro o caso de pessoas que rasgam a camisa na rua, no horário do almoço, e precisam voltar ao trabalho.

Para estas emergências, é sempre bom a loja ter uma cabine, com sofá, a fim de que o cliente possa esperar pelo reparo com mais conforto.

Serviço:
Dona Agulha - 813-0755
Geny Arbetman - 554-6586
Copa Máquinas - 255-0947/235-4426
Caçula Aviamentos - 224-3942/509-9767
Acomp - 445-5444

RAIO X

• Investimento inicial: R$ 15 mil, fora o ponto comercial
• Faturamento médio mensal: R$ 8 mil
• Capital de giro: R$ 4 mil
• Área mínima: 40 metros quadrados
• Número de funcionários: 4 (3 costureiras e 1 recepcionista)
• Investimento em propaganda: 5% do faturamento
• Retorno do investimento: de 6 a 12 meses

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