Quarta-feira - 25 de janeiro de 2006

Economia & Negócios

Juros a perder de vista

Na contramão da taxa básica, custo de financiamentos no varejo dispara em dezembro com demanda aquecida e risco de calote


BRASÍLIA e RIO - O apetite do consumidor para as compras no último Natal permitiu aos varejistas promover uma disparada nos juros cobrados nas vendas a prazo. Na contramão da taxa básica (Selic), que entrou em trajetória de queda em setembro, e até mesmo de outras linhas de crédito, o custo do financiamento para aquisição de móveis, eletrodomésticos e outros bens de consumo saltou nove pontos percentuais entre novembro e dezembro, de 56,4% para 65,2% ao ano, segundo o Banco Central. Em igual período, a Selic foi reduzida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) de 18,5% ao ano para 18% ao ano.


No mês passado, o volume de crédito destinado a essas operações cresceu 2%, para R$ 10,251 bilhões. Além da demanda maior, foi apontado como causa da escalada dos juros a expectativa de aumento na inadimplência. Essa é a avaliação de Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

- É o grau de risco que define o aumento da taxa. Apesar de a Selic estar em queda, as instituições acreditavam que a demanda por crédito seria maior do que a realmente foi, levando-as a promover um ajuste.

Segundo o BC, entretanto, a taxa de inadimplência ficou praticamente estável em dezembro. Para as empresas, permaneceu em 2% e, para pessoa física, aumentou apenas 0,1 ponto, para 6,9%.

Para Antônio Cesar Carvalho de Oliveira, da Acomp Consultoria, além da inadimplência e do volume de compras, a demanda do governo por financiamento de sua dívida - através da emissão de títulos - mantém elevada a demanda por crédito, puxando as taxas.

- Além disso, a associação do varejo com financeiras pode ter influenciado no resultado, já que elas possuem as maiores taxas do mercado. Mas ainda é difícil avaliar o peso desse acordo para os consumidores.

Do outro lado, o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Érico Ferreira, descarta a política comercial entre lojas e financeiras como instrumento de alta nas taxas de juros.

- A taxa tende a baixar nos próximos meses. O que houve foi o repasse do risco maior para os novos negócios.

A escalada dos juros na aquisição de bens ocorre em paralelo com a redução das taxas em outras modalidades de crédito à pessoa física. No cheque especial, houve redução de 1,7 ponto percentual, para 147,5% ao ano. Na compra de veículos, os juros cobrados caíram 0,1 ponto percentual, para 34,8% ao ano.

A taxa das operações de crédito pessoal recuou de 68,7% para 67,3%. Os empréstimos consignados - com desconto direto em folha de pagamento - tiveram um recuo menor, de 36,9% ao ano para 36,4%.

Na média, a taxa cobrada para pessoa física caiu de 60,4% ao ano em novembro para 59,3% ao ano em dezembro.

O Banco Central informou, ainda, que o volume total de crédito no país atingiu em dezembro o maior patamar em dez anos, de 31,3% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país). Os recursos concedidos chegaram a R$ 606,9 bilhões, ante os R$ 499,5 bi em dezembro de 2004.

Entre novembro e dezembro, o spread - diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes - caiu de 43,2 pontos percentuais para 42,8 pontos percentuais.

Com Bruno Rosa

 

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