Jornal do Brasil
 ECONOMIA
Domingo, 05 de Setembro de 1999 
No Rio, briga feroz.

Luciana Brafman

 

A forte presença regional das Sendas, uma acirrada disputa entre Carrefour e Pão de Açúcar, a quase ausência de grandes grupos como o Sonae e o Wal-Mart, e poucas redes independentes de médio porte são algumas das principais particularidades do varejo alimentar do Rio de Janeiro. "Até a geografia da cidade do Rio é complicada", explica a analista de consumo do Bozano, Simonsen, Andréa Teixeira.

"Na Zona Sul, não cabem hipermercados", exemplifica. Segundo ela, a dificuldade em conseguir pontos nos locais nobres facilita o processo de crescimento das redes através de aquisições e não de construção de novas lojas. A Barra da Tijuca, onde ainda há espaços disponíveis, já apresenta concentração de hipermercados - dois Extra, além de Carrefour e Bon Marché, são vizinhos na Avenida das Américas.

O grupo Sendas, forte na Baixada Fluminense e líder regional em número de lojas, mantém-se firme no estado, atuando com quatro formatos de loja. "O Super Ex, o Bon Marché, o Hiper Sendas e o Sendas existem porque o grupo Sendas conhece melhor do que ninguém o público do Rio", analisa o sócio-diretor da Acomp Consultoria e Treinamento, Antônio César de Oliveira.

Além de estabelecer uma acirrada guerra de preços, o apetite do Carrefour e do Pão de Açúcar em crescer com as aquisições também mexeu com o desenho varejista do estado. O Carrefour, com a compra das redes Rainha, Continente e Dallas, avançou para o subúrbio. O concorrente, de Abílio Diniz, com a incorporação das lojas Paes Mendonça, espalhou-se pelo estado e este ano já inaugurou sete hipermercados Extra. Até o fim do ano, mais uma loja será aberta no Rio, confirmando a estratégia de fortalecimento regional.

Com foco nos mercados do Leme ao Recreio dos Bandeirantes, o Zona Sul tem seu posicionamento claramente voltado às vizinhanças. "A rede tem seu nicho. É quase uma delicatessen, se comparada a um hipermercado", afirma Andréa. O ponto forte do Zona Sul é a fidelidade de seus clientes, em serviços e nos produtos direcionados.

Com tamanho mediano, Mundial e Guanabara ainda se mantêm firmes no estado, só não se sabe até quando. Já o ABC, nascido na Região Serrana, em Petrópolis, invadiu recentemente outras regiões do Rio, comprando as lojas do Serra e Mar e do Max Box. Para os analistas do varejo, a cadeia deve mudar de mãos em breve, já que é controlada pelo grupo Garantia, sem interesse em ficar no setor supermercadista.

A venda do ABC pode ser uma boa oportunidade para a rede portuguesa Sonae entrar no Rio de Janeiro. Embora ausente no estado, o gigante mundial Wal-Mart já anunciou a sua primeira unidade fluminense, em Niterói. Na contramão da tendência das aquisições, o grupo americano optou pela compra de um terreno e construção de uma loja nova.

 

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