Domingo, 02 de julho de 2006

Capa da Revista de Domingo

Os Caça - de$conto$

A Classe média vira expert na busca do melhor preço

É chique garimpar

Páginas 18 à 21

Consumidores economizam sem abrir mão de seus sonhos


Aimée Louchard e
Rose Esquenazi

O DESPERDÍCIO ESTÁ COM OS DIAS CONTADOS. As classes média e média alta começam a fazer as contas de seus gastos porque descobriram – até que enfim – que o orçamento não está fechando no fim do mês. Os filhos querem computadores com DVD e TVs no quarto, celulares com câmeras, i-Pods, carros e viagens nas férias, Haja dinheiro. Com pequenos ajustes e mudanças de comportamento, é possível envolver toda a família num mutirão de economia. Só não vale ficar chorando pelo supérfluo que se perdeu.

O médico homeopata Carlos Kassab, por exemplo, freqüenta os supermercados Mundial, mas sabe que nem todos os amigos admitem fazer compras em uma rede de lojas populares.

- Vou feliz da vida pois sei que lá encontro o básico – assegura. – Para a compra dos demais produtos, pesquiso ofertas de outros supermercados.

Com esta estratégia, o médico calcula que economiza cerca de 15% por mês, o que não é nada mau. A Batalha para fazer o dinheiro render mais continua com o planejamento das idas à feira – ele já sabe que mais tarde, tudo fica mais barato – pela escolha de só telefonar em horários em que a tarifa é mais em conta, quando a ligação não é urgente, e pela e aposentadoria do freezer.

- Não fez a mínima falta e assim eu economizo bastante.

O médico faz questão de lembrar que esse tipo de comportamento saudável é normal na Europa, que passou por várias privações em períodos de guerra. Lá economiza-se tudo.

Na foto - A produtora de moda Marta Góes sempre procura as ofertas para a casa

- O Brasil nunca passou por um momento de desespero. Mas aqui até os mais abastados estão percebendo que não é mais possível gastar como no passado – reconhece. A água é um caso clássico do desperdício. As pessoas se ensaboam com o chuveiro aberto. Um absurdo.

Kassab não está sozinho na busca de maneiras criativas para continuar a desfrutar de algumas comodidades. A mudança nos padrões de compra da classe média nos últimos quatro anos é um fato largamente conhecido dos economistas.

- O governo tomou a decisão de saldar os compromissos internacionais e, como qualquer cidadão que faz esta escolha, enquanto se está pagando o que se deve, não sobra para mais nada, nem para consumir nem para guardar dinheiro – traduz Antônio César Carvalho, da empresa de consultoria Acomp. Ele assegura que o brasileiro com o salário achatado tornou-se um consumidor mais exigente e sem pudor de perseguir as melhores ofertas.

- Em maio, apesar de as vendas dos supermercados terem subido 3,05%, o faturamento do setor caiu 4 % em relação ao mês anterior, o que prova que as pessoas estão preferindo as marcas mais baratas – pondera Carvalho.

A tese do engenheiro é comprovada pelos dados da pesquisa do Programa de Administração de Varejo (Provar) da USP realizada no semestre passado. O estudo revelou que de 70% a 80% dos consumidores trocam de marca na própria loja no momento da compra. E cada vez mais por razões de preço.

Na foto - Valdete vende casacos de couro a R$119

A psicóloga Lílian Vieira foi uma das que passou a dar mais atenção às ofertas dos supermercados Zona Sul, divulgadas nos encartes semanais. Sem dúvida um grande avanço para quem costumava colocar os produtos no carrinho sem reparar nas etiquetas dos preços. Para racionalizar o orçamento, a psicóloga também dispensou a secretária do consultório e, em casa, optou por uma faxineira, duas vezes por semana.

- Os serviços estão muito caros, por isso tento economizar e negociar sempre.

A produtora de moda Márcia Góes também entrou para o time dos caça-descontos. Ela garante ter educado o olho para garimpar peças de boa qualidade e preço idem toda vez que vai às compras. Na semana passada, Márcia quis renovar a roupa de cama e garante que encontrou ótimas ofertas na Casa & Vídeo – que acaba de abrir loja no coração de Ipanema.

As ofertas dos encartes são fundamentais para quem busca os menores preços

- Levei edredons a R$129, que estavam por volta de R$250 em outras lojas – contou a produtora.

Márcia não se constrange em admitir que bate muita perna em busca de bons preços para administrar com bom senso o orçamento mensal.

- Não tenho o menor preconceito em comprar nas lojas populares – entrega. – Nem a Saara fica fora do roteiro de compras.

Outra tendência crescente é a bricolagem, ou “faça você mesmo”. A classe média alta está cada vez mais interessada em fabricar estantes, cortinas, armários embutidos. Para isso, recorre à gigante na área da bricolagem, a Leroy Merlin, que chegou ao Brasil há oito anos.

- A loja nasceu na Europa no período entre guerras, quando não havia matéria-prima e o que sobrou dos bombardeios foi reaproveitado – conta Renato Takassu, diretor da Leroy Barra.

Mais do que proporcionar economia, as pequenas reformas, a decoração e os consertos elevam a auto-estima dos clientes, além de servirem como lazer.

- Nossos clientes estão aprendendo a pintar, fazer estantes e decorar casa, o que é muito saudável – diz a gerente de atendimento da loja Márcia de Paulo.

Na seção de roupas Carrefour da Barra, a mudança de comportamento da clientela é confirmada pela vendedora Valdete dos Anjos Barbosa, há 14 anos na empresa.

- Para mim não existe mais elite. Antes, os motoristas e as governantas vinham com uma lista de compras. Agora as madames vêm pessoalmente e exigem preço baixo.

Nas araras do supermercado, casacos de couro a R$119 atraem consumidores de classe média.

- Valem a pena porque têm bom caimento – assegura Valdete, que vendeu para uma moradora do condomínio AlfaBarra.

Além dos casacos, sandálias anabela em camurça a R$49,90 e suéteres masculinas que parecem de grife sumiram num piscar de olhos.

No capítulo aparência física também é possível economizar fazendo limpeza de pele no salão-modelo do Senac, tingindo os cabelos no Centro de Treinamento da Werner Academia e até submetendo-se a pequenas cirurgias odontológicas ou estéticas por menos da metade do preço ou de graça.

Na foto - Laura e Eneida Mariante: da cobertura para um “kinder” ovo

Na foto - Carlos Kassab faz pesquisa semanalmente dos preços nos supermercados, hábito cada vez mais comum na classe média

A aposentada Elizabeth Eva Gielman, que está prestes a fazer um enxerto ósseo e implante de pivôs com uma periodentista particular, pagará R$2.500, em vez dos R$8 mil inicialmente previstos. Para isso, a operação será assistida pelos alunos de pós-graduação do professor-cirurgião.

- O periodentista me ofereceu o desconto e eu aceitei – admite Elizabeth. – Não tenho condições de pagar o preço total da operação.

Endividada e assaltada pela angústia de não poder honrar as contas mensais, a funcionária pública e representante comercial Eneida Mariante, de 47 anos, decidiu colocar o pé no freio. Como o emprego público não lhe dava renda suficiente, ela também vendia objetos orientais para reforçar o orçamento. Mas as vendas foram minguando.

- Minha vida virou uma bola de neve, dívidas sobre dívidas – lembra.

A decisão mais radical foi tomada há seis meses: Eneida - que tem uma filha de 18 anos – deixou a cobertura alugada de 200 m² no jardim Botânico por um apartamento “tipo kinder ovo” como ela própria define, de apenas 70 m² no Humaitá.

Em alguns casos, a mudança de estilo de via alivia o estresse causado pelo desejo de status

- Com a mudança minhas despesas mensais com aluguel e condomínio caíram em 60% - informa.

Ela decidiu também economizar nas compras. Aboliu vinhos, chocolates e outros supérfluos, para manter a filha na escola particular e no curso de inglês, e continuar a desfrutar das aulas de piano e ginástica.

- Troquei meu estresse de manter um status pelo qual não podia mais pagar por uma qualidade de vida melhor. Hoje, fazemos programas mais baratos, andamos mais a pé pelo bairro, fizemos novos amigos. Estou muito mais tranqüila e feliz.

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Nota da ACOMP:

Na matéria o Engenheiro e Prof. Antônio César, diretor da ACOMP, foi indicado como Economista. No texto acima já está corrigido.

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