Gazeta Mercantil 01/09/1999

Disputa acirrada entre supermercados de bairro no estado.


A entrada do Carrefour no setor de supermercados do Rio, com a compra do Rainha, Dallas e Continente, vai provocar a médio prazo o acirramento da disputa entre os supermercados de bairro, unidades menores voltadas para o consumo de conveniência. Como não poderá montar hipermercados com a aquisição das pequenas lojas das três redes, a empresa deve lançar no estado a rede Stoc, presente hoje em 18 cidades de cinco estados, São Paulo, Paraíba, Santa Catarina, Piauí e Pernambuco.

Segundo analistas de varejo, este mercado deve ser dividido no Rio entre as redes Zona Sul (com faturamento anual de R$ 205 milhões, segundo o Balanço Anual 99 da Gazeta Mercantil), Super Ex, do grupo Sendas (a empresa não divulga o faturamento isolado da rede), Mundial (com faturamento de R$ 252 milhões, também segundo o Balanço Anual) e a Rede Economia, associação entre sete empresas, que possui 39 lojas no Rio e faturou em 98, R$ 276 milhões. 'As pequenas e médias redes só conseguirão sobreviver se focarem suas atividades no conceito de supermercado de bairro, oferecendo conforto, segurança e conveniência', afirma o consultor da Acomp Consultoria e Treinamento, Antônio César Carvalho.

Os empresários associados à Rede Economia (supermercados Princesa, Cariocão, Rosana, Celma, Feira Nova, Torrebella, Germans e Campeão) não estão de braços cruzados, assistindo à movimentação do mercado. O grupo, que lançou um cartão de crédito em julho, em parceria com a Fininvest, deve ganhar cinco novos associados até meados de setembro. A rede investiu R$ 500 mil na campanha de aniversário que envolveu anúncio na mídia e distribuição de encartes com ofertas. 'As empresas pequenas nos procuram porque sabem do sucesso de nossa iniciativa. Vamos crescer de 6% a 8% até o fim do ano, e passaremos a ter 60 lojas', aposta o secretário executivo da Rede Economia, João Alevatto.

A grande novidade do grupo será anunciada até o fim do ano. Já está nas mãos do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) três marcas próprias de produtos de higiene e limpeza, perecíveis e mercearia. 'Estamos criando o nome das marcas que receberão o selo de qualidade Rede Economia e, portanto, serão produtos de linha', adianta Alevatto.

Para o executivo, as redes menores não tem como sobreviver se não buscarem as associações. 'Quando chegar ao Rio, a Stoc terá uma poder de barganha enorme com os fornecedores. Vão deixar muito supermercado para trás', prevê. Até o fim de setembro, a Rede Economia estará lançando sua homepage, disponibilizando encartes e cadastro para recrutamento e seleção. Até o fim do ano será possível comprar pela Internet nos supermercados da rede.

Apesar de se mostrar fortalecido diante da poderosa concorrência, João Alevatto não descarta a possibilidade da rede ser vendida, caso receba alguma proposta. 'Nada é impossível. Muitas empresas disseram que não vendiam e acabaram seduzidas por excelentes propostas. Não é a tendência, mas pode acontecer', admitiu.

O Zona Sul, que tem 15 lojas no Rio, prefere não comentar a provável chegada da rede Stoc ao Rio, mas a recente aquisição de uma loja da rede Big, no Leblon é uma demonstração das intenções da empresa: fortalecer seu conceito de bairro, ampliando a presença em uma das áreas mais nobres da cidade. 'As médias redes também poderão se fortalecer, comprando lojas ou se associando', diz o consultor Antônio César.

A rede de supermercados Mundial, que possui hoje 13 lojas no Rio, sendo duas na Zona Sul, também não tem medo das grandes. Para o diretor, Justino Gomes de Castro, o cenário local não deve mudar. 'Quem compra continuará comprando, e quem vende continuará vendendo', afirma, em tom irônico.


Daniel Oiticica

© GAZETA MERCANTIL

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