Revista SISTEMA FECOMERCIO de Fevereiro de 2002 - Número 34

Paulo César Martins

Eleições e investimentos

Depois de oito anos de mandato, Fernando Henrique Cardoso passará a faixa presidencial ao seu sucessor. Ao mesmo tempo, governadores, senadores e deputados estarão lutando para se manter em seus gabinetes, enquanto novos candidatos entrarão na disputa por passagens para o poder. A eleição, apostam os consultores, ao lado do Copa do Mundo e da recuperação da economia americana, que dá sinais de sair da recessão, injetará dinheiro na praça.

"Obras de infra-estrutura que estavam represadas deverão sair do papel este ano. É claro que os governos vão abrir os cofres para ajudar os seus candidatos. É natural que isto aconteça num ano de disputa eleitoral. Esse dinheiro, esses investimentos, certamente ajudarão a impulsionar a economia em 2002", afirma Antônio César. Ele aposta ainda no possível reajuste do salário dos servidores públicos, que estão sem aumento há sete anos e na exportação da produção de grãos, como outros fatores que deverão jogar dinheiro novo no mercado.

Mas nem só votos e boas notícias podem sair das urnas. Alguns prejuízos correm paralelamente ao trabalho de boca de urna.

"O único e sério aviso que dou para os prestadores de serviço e fa-bricantes de brindes é: vendam à vista, se possível adiantado. O filme da quebradeira de gráficas e empresas de brindes após as eleições já é bastante conhecido. Não se concebe que alguém ainda chore na cena final. Todo o mercado já conhece bem o desfecho desse enredo. O aviso então é para os novatos, que podem ficar acreditando no canto das sereias políticas, e acabar com suas empresas nas pedras," ensina Angelim.

Unanimidade entre os especialistas, o setor de turismo interno é o que deverá mais crescer este ano. Em contrapartida, há perspectivas ruins para as agências focadas em viagens ao exterior e para os investidores em empresas que dependem de insumos e matérias-primas importadas.

Informações da Embratur comprovam que os vôos para o exterior despencaram em 40% (desde os atentados ao World Trade Center) e os pacotes internos de fim de ano e verão passaram de 60% para 70% das vendas nas agências que, aparentemente, conseguiram driblar os efeitos da falência da Soletur, a então maior operadora do País. Um outro fator a estimular o crescimento interno é a confirmação pelas grandes redes hoteleiras da expansão de seus negócios.

Existe, assim, segundo os especialistas, um bom leque de oportunidades para pequenos negócios como pousadas, bares e restaurantes, aluguel de carros e perspectivas de contratação de guias turísticos, motoristas, garçons e atendentes. Mas boa notícia não anda sozinha.

"As agências menores, mais ágeis que a Soletur e focadas no turismo interno, no ecoturismo, no turismo temático, podem realmente se dar bem. Os maiores problemas estão relacionados com os serviços: caso seja mal atendido, o cliente vai guardar a sua poupança no futuro para retomar as viagens ao exterior", afirma Antônio César, sócio-diretor da Acomp.

Com ele faz coro Paulo Angelim. "Os serviços precisam melhorar. Tendo chance, o brasileiro escolhe o exterior. Foi só o dólar voltar para a casa de US$2,40, no início de janeiro, que os brasileiros começaram a tirar o passaporte da gaveta. Precisamos de bom atendimento e infra-estrutura.

Paulo Ancona afirma que a redução das viagens ao exterior é uma boa notícia também para empresários de outros setores, já que o di-nheiro que era gasto lá fora e em duty-frees está ficando por aqui mesmo. Isso favorece os empresários que têm produtos para as classes média e média alta. Como esse público é mais exigente, o consultor alerta que treinamento da mão-de-obra é fundamental.

Já Paulo Angelim acredita que haja espaços para crescimento em vários ramos, entre eles os ligados à segurança patrimonial e pessoal. "Eu aposto até em vídeo-locadora, desde que se inove. A palavra de ordem é serviço inovador. A ordem é: inove nos serviços, e surpreenda seus clientes. Mas lembrem-se que quem faz isso acontecer é gente. Você precisa investir nelas, em primeiro lugar", ensina o consultor.

Outra palavra de ordem, segundo Antônio César Carvalho de Oliveira é planejamento. "Um bom estudo de viabilidade, tanto do ponto de venda, quanto dos produtos e aspirações do consumidor, formam o caminho para ter um negócio saudável", diz.

Trabalhar com mercadorias de qualidade, treinar funcionários, sem esquecer de acompanhar as expectativas do consumidor e o movimento do concorrente, são outros conse-lhos dos consultores.
"Não só em 2002, mas sempre. O cuidado está no que investir. As empresas deveriam estar sempre se preparando para o fenômeno cíclico das crises. Não existe nada tão certo quanto a inevitabilidade das crises. Prepara-se uma empresa para a crise no momento da bonança, e não quando se está enfrentando crises", afirma.

Angelin acredita também que as principais preocupações de qualquer empresa para superar as crises, uma vez que é impossível evitá-las, está no fortalecimento das relações com colaboradores e clientes e no fluxo do caixa.

"Tenho visto muita empresa ignorando a necessidade de reter e promover a participação de talentos da organização e de fidelizar antigos clientes e de reaplicar os lucros".

Ancona concorda com ele. "Toda crise é um excelente momento para repensar e readequar a forma de trabalho. O que, aliás, deveria ser uma constante. Um investimento feito com cuidado, com planejamento e de forma profissional tem muitas chances de dar certo. Acima de tudo é importante ter profissionalismo e visão, aprendendo a olhar com os olhos do novo mundo e dos novos paradigmas", afirma.



Fecomércio-RJ

A Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro reúne 62 sindicatos patronais da área do comércio de bens e serviços de todo o Estado do Rio. Essas entidades representam cerca de 200 mil empresas, que empregam mais de um milhão de trabalhadores.

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