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Sexta, 2 de Abril de 1999

 

O preço das embalagens especiais

Para baixar os custos, supermercadistas devem terceirizar processos

Roberta Cecchetti

  Produtos limpos, cortados, embalados e prontos para ser consumidos. A demanda pela praticidade em relação aos alimentos, devido a correria do dia-a-dia, faz com que os supermercados trabalhem ainda mais para atender aos clientes. Por serem mais caros, cerca de 15%, em relação aos produtos in natura, especialmente as verduras, legumes e frutas, esses tipos de produtos são mais consumidos pelas classes A e B.

A tendência é que haja um aumento na procura pelos itens embalados, limpos e já fatiados. O consultor Antônio Cesar Carvalho de Oliveira, da Acomp Engenharia, comenta que o tema foi enfatizado no último congresso da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), no ano passado.

  "Os produtos prontos para serem ingeridos facilita a vida das pessoas. Por custarem mais caros, a maioria dos consumidores ainda prefere os itens "in natura" mas, a medida em que o processo for mecanizado, o preço cairá e as classes C e D poderão adquirir", avalia Antônio Cesar.

  Para isso, os supermercados devem pensar em terceirizar o serviço de embalagens. "Acredito que isso acontecerá em um breve futuro. É uma tendência. Os supermercados não devem ter a preocupação de embalar e processar e sim de comercializar", explica Antônio Cesar.

  Há uma segunda opção. Se os empresários optarem por não terceirizar o serviço, poderão pedir para que os produtores/fabricantes já entreguem os itens prontos para serem vendidos. "O problema é que, hoje em dia, nem todos os fornecedores têm condições, ou melhor, estrutura, para fazer esse tipo de trabalho", argumenta Antônio Cesar.

  A margem de lucro dos embalados é maior porque agregam valor aos produtos. "A porcentagem varia de acordo com a mercadoria, por isso é difícil precisar. Mas, acredito que a margem pode chegar até 30% em relação ao mesmo item "in natura".

  Antônio Cesar acrescenta que o preço final é feito em relação à concorrência. "Na realidade, é isso que acontece. Mas, teoricamente deveria contabilizar-se o custo da embalagem, da mão-de-obra para manuseio e perda de peso quando é feita a limpeza (no caso das carnes)".

  Os produtos limpos e embalados correspondem a 20% das vendas em relação aos "in natura", mas deverão chegar a 60% nos próximos três anos, é o que garante Antônio Cesar Carvalho de Oliveira. "Acredito que o preço baixe, pois a demanda será cada vez maior e os mecanismos para a preparação deverão ser agilizados ou até mesmo terceirizados".

  O Carrefour dispõe de cortes em embalagens especiais para carne desde que aportou no País, há 23 anos. As frutas, legumes e verduras passaram a ter uma "roupagem" especial há pouco tempo. O Carrefour explica que esse tipo de produto facilita até a vida de quem gosta de cumprir receitas à risca.

Visitas aos fornecedores

  No quesito carne, são mais de 50 tipos embalados. Em relação aos legumes/verduras e frutas, o Carrefour dispõe de profissionais para fazer visitas aos fornecedores. A intenção é checar a água e o adubo usado, ou seja, ter certeza da boa procedência.

  O Carrefour garante que na hora de arrumar as frutas, as "machucadas" não costumam ficar por baixo. Se isso acontecer e o consumidor reclamar, o fornecedor será chamado à atenção e, em última instância, poderá até ser descredenciado.

  No supermercado, algumas frutas, legumes e verduras já chegam embaladas. As outras são manipuladas pelo Carrefour. Afinal, nem todos os fornecedores são estruturados para isso. A empresa não quis falar sobre a margem de lucro desses produtos e nem como estabelecem o preço final.

  O supermercado Extra, assim como o Pão de Açúcar, compra as frutas "in natura" e faz a limpeza, os cortes necessários e a embalagem no próprio estabelecimento. O mesmo acontece com as carnes. Os legumes costumam vir embalados dos fornecedores.

  A venda dos itens prontos para o consumo, com exceção da carne, é de 20% em relação aos "in natura", que são mais baratos. O preço é mais caro, em torno de 15%, e as frutas e legumes são selecionados, ou seja, não há como um cliente comprar uma caixinha, por exemplo, com algo estragado.

  Na maioria dos grandes supermercados, todas as carnes são vendidas de forma limpa e embalada. O produto cortado na hora, só em açougues. O motivo é simples: evita filas e desconfianças em relação ao peso do produto antes de passar pela limpeza.

Carne homogeneizada

  A carne homogeneizada, um novo conceito para a comercialização da carne moída, é mais um serviço disponível na rede Carrefour. O sistema permite a padronização da gordura antes da moagem – peito e músculo, com 9% a 11% de teor de gordura, e acem e paleta, com 5% a 7%.

Produto nobre

  Para transformar a carne moída em produto nobre, o supermercado dispõe de um laboratório montado em fibra (sem alvenaria), máquinas, câmaras frigoríficas e sistema para eliminar as bactérias do lugar. Um veterinário acompanha diariamente o processo de preparação, para analisar o controle de qualidade.

  As peças de carne são desossadas logo que entram no laboratório, separadas em cubos, colocadas em bandejas térmicas de isopor e depois em carrinhos de aço. A montagem é feita em duas máquinas diferentes: a primeira faz a trituração enquanto a outra faz a mistura para determinar a padronização do teor da gordura.

  Em seguida, o produto é acondicionado em uma bandeja e enviado em esteiras rolantes para embalagem e colocação dos rótulos. Não existe contato manual com a carne. Além disso, os funcionários usam roupas e botas especiais de nylon, revestida com manta térmica. Ninguém entra no laboratório sem higienizar os sapatos.

 

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