Jornal do Brasil
 ECONOMIA
Domingo, 28 de Fevereiro de 1999

Parceria para fugir da crise

Ana Cristina Duarte

Especialistas avisam: união de empresas do mesmo ramo reduz os custos em até 30%


Micro e pequenos empresários, uni-vos! De acordo com consultores e analistas financeiros associar-se a empresas do mesmo ramo, neste momento, pode ser uma boa saída para aqueles que desejam minimizar custos e não aumentar os preços de seus produtos em função da escalada do dólar.

Segundo o diretor de produtos do Sebrae-RJ, Luiz Carlos Pimenta, é possível reduzir até 30% dos gastos em estoque quando as compras para estocagem são feitas em conjunto. "Assim os aumentos impostos pelos fornecedores são minimizados e os consumidores poupados, o que fideliza o cliente no preço final, pois não há alteração no valor do serviço ou da mercadoria consumida", diz.

Evitar desperdícios e fugir dos juros bancários são dois outros conselhos que a maioria das pequenas empresas deve seguir. O consultor empresarial da Acomp, Antônio César de Oliveira, sugere deixar o pânico de lado e se reposicionar no mercado. "Analisar e priorizar os produtos ou serviços nos quais sua empresa é uma boa competidora são os principais caminhos para, se possível, incrementar benefícios e diferenciais", ensina. "Pergunte-se há quanto tempo sua empresa não faz uma pesquisa de mercado. Será que o negócio com o qual você trabalha é rentável? O que o consumidor está querendo e como quer comprar?"

É bem verdade que setores que trabalham com importados, como as lojas de R$ 1,99 ou as delicatessens, já perderam muito com a alta da moeda americana. Mas em busca de um reposicionamento e de "bajulações" direcionadas aos clientes, a crise pode até ser minimizada.

Mudança de foco - A psicóloga Neide Duchesne, de 52 anos, por exemplo, abriu uma loja de produtos naturais, em um shopping na Gávea, há quatro anos. Com a estabilidade e a abertura econômica no início do Plano Real, Neide resolveu apostar num negócio até então rentável: transformou a loja em uma delicatessen.

Até a semana passada, Neide havia reduzido 70% de seu estoque. O arroz selvagem que comercializava na loja foi trocado por uma marca 15% mais barata. "Logo que os importadores aumentaram o preço das mercadorias em 50% e 60%, deixei de comprar", conta ela. Hoje com alguns preços mais estabilizados, a psicóloga admite que reduziu sua margem de lucro em algumas mercadorias de 30% para 10%. Isso sem falar nos descontos de até 20% que passou a oferecer em produtos cujos estoques estavam maiores.

"Apostei na fidelização do cliente e na entrega em domicílio", diz, contabilizando o dinheiro gasto na abertura de sua segunda loja, na Barra da Tijuca, com a filha, Andrea. O projeto inicial, que custava R$ 60 mil, foi transformado em um segundo projeto de R$ 30 mil. "Não tínhamos outra opção. Ou cortávamos de um lado ou repassávamos o aumento de preços, o que provavelmente afugentaria de vez a clientela e acabaria por colocar o negócio por água abaixo."

Mesmo com propostas quase sempre amargas, quem também se colocou no front para enfrentar a crise foi a arquiteta Jaqueline Duarte. Dona de uma panificadora, em Botafogo, ela e o marido, Eduardo, resolveram fazer parte de uma Central de Negócios com outras 20 padarias para tornar as compras de mercadorias mais baratas. "Desta forma, fechamos a compra da farinha (que aumentou 50% com alta do dólar) sem o repasse dos fornecedores", diz. "O poder de negociação aumentou e passamos a adquirir o produto com 50 quilos por R$ 21 ou R$ 22, enquanto o preço havia subido para R$ 33." Jaqueline acredita que a adesão à central reduziu seus custos em pelo menos 30%.

Como evitar turbulências

Concentre seus esforços nas vendas e principalmente na qualidade de atendimento.

Analise e priorize os produtos e serviços no qual sua empresa é forte competidora. Se possível, incremente os negócios.

Pesquise o mercado para evitar desperdícios com mídia inadequada e custos de comercialização impróprios aos anseios do consumidor.

Lembre-se que, em tempos de crise, os consumidores mudam seus hábitos com freqüência. É preciso flexibilidade e agilidade

Identifique novas oportunidades de crescer.

Treine intensivamente seus empregados para obter o máximo de produtividade, reduzindo custos.

Gerencie seus estoques.

Procure se associar a empresas que trabalham com os mesmos produtos que a sua no momento de compra das mercadorias.

Evite o engessamento financeiro de sua empresa para não depender dos bancos.

Tente quitar as dívidas em dólar de sua empresa o quanto antes.

Não abuse do cheque especial.

Evite gastos supérfluos como compras de móveis ou reformas.

Procure renegociar financiamentos e dívidas com os bancos.

 

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